segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Ressurreição


NO TERCEIRO DIA RESSUSCITOU DOS MORTOS 

638  "Anunciamo-vos a Boa Nova: a promessa, feita a nossos pais, Deus a realizou plenamente para nós, seus filhos, ressuscitando Jesus" (At 13,32-33). A Ressurreição de Jesus é a verdade culminante de nossa fé  em  Cristo,  crida  e  vivida  como  verdade central  pela  primeira  comunidade  cristã,  transmitida  como fundamental pela Tradição, estabelecida pelos documentos do Novo Testamento, pregada, juntamente com a Cruz,  como parte essencial do Mistério Pascal. (Parágrafos Relacionados 90,651,991)
Cristo ressuscitou dos mortos. 
Por sua morte venceu a morte, 
Aos mortos deu a vida[a16] . 



I - O EVENTO HISTÓRICO E TRANSCENDENTE 

639  O  mistério  da  Ressurreição  de  Cristo  é  um  acontecimento  real  que  teve  manifestações historicamente constatadas, como atesta o Novo Testamento. Já  São Paulo escrevia aos Coríntios pelo ano de 56: "Eu vos transmiti... o que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e depois aos Doze" (1Cor 15,3-4). O apóstolo fala aqui da viva tradição da Ressurreição, que ficou conhecendo após sua conversão às portas de Damasco.


O TÚMULO VAZIO

640 "Por que procurais entre os mortos Aquele que vive? Ele não esta aqui; ressuscitou" (Lc 24,5-6). No quadro dos acontecimentos da Páscoa, c primeiro elemento com que se depara é o sepulcro vazio. Ele não constitui em si uma prova direta. A ausência do corpo de Cristo no túmulo poderia explicar-se de outra forma. Apesar disso, o sepulcro vazio constitui para todos um sinal essencial. Sua descoberta pelos discípulos foi  o  primeiro  passo  para  o  reconhecimento  do  próprio  fato  da  Ressurreição.  Este  é  o  caso  das santas mulheres, em primeiro 1ugar, em seguida de Pedro. "O discípulo que Jesus amava (Jo 20,2) afirma que, ao entrar no túmulo vazio e ao descobrir "os panos de linho no chão (Jo 20,6), "viu e creu". Isto supõe que ele tenha constatado, pelo estado do sepulcro vazio, que a ausência do corpo de Jesus não poderia ser obra humana e que Jesus não havia simplesmente retomado a Vida terrestre, como tinha sido o caso de Lázaro. (Parágrafo Relacionado 999)


AS APARIÇÕES DO RESSUSCITADO 

641   Maria  de  Mágdala  e  as  santas  mulheres,  que  Vinham  terminar  de  embalsamar  o  corpo  de Jesus,  sepultado  às  pressas,  devido  à  chegada  do  Sábado,  na  tarde  da  Sexta-feira  Santa,  foram  as primeiras a encontrar o Ressuscitado. Assim, as mulheres foram as primeiras mensageiras da Ressurreição de Cristo para os próprios apóstolos.  Foi a eles que Jesus apareceu em seguida, primeiro a Pedro, depois aos Doze.  Pedro, chamado  a  confirmar  a  fé  de  seus  irmãos,    vê  portanto,  o  Ressuscitado  antes deles,  e  é baseada no testemunho dele que a comunidade exclama: "E verdade! O Senhor ressuscitou e apareceu a Simão" (Lc 24,34). (Parágrafos Relacionados 553,448)

642  Tudo  o  que  aconteceu  nesses  dias  pascais  convoca  todos  os  apóstolos,  de  modo  particular Pedro,  para  a  construção  da  era  nova  que  começou  na  manhã  de Páscoa.  Como  testemunhas  do Ressuscitado, são eles as pedras de fundação de sua Igreja. A fé da primeira comunidade dos crentes tem por fundamento o testemunho de homens concretos, conhecidos dos cristãos e, na maioria dos casos, vivendo ainda entre eles. Estas "testemunhas da Ressurreição de Cristo" são, antes de tudo, Pedro e os Doze, mas não somente eles: Paulo fala claramente de mais de quinhentas pessoas às quais Jesus apareceu de uma só vez, além de Tiago e de todos os apóstolos. (Parágrafos Relacionados 659,881,860)

643  Diante desses testemunhos é impossível interpretar a Ressurreição de Cristo fora da ordem física e não reconhecê-la como um fato histórico. Os fatos mostram que a fé dos discípulos foi submetida à prova radical da paixão e morte na cruz de seu Mestre, anunciada antecipadamente por Ele. O abalo provocado pela Paixão foi tão grande que os discípulos (pelo menos alguns deles) não creram de imediato na notícia da ressurreição. Longe de nos falar de uma comunidade tomada de exaltação mística, os Evangelhos nos apresentam discípulos abatidos, "com o rosto sombrio" (Lc 24,17) e assustados. Por isso não acreditaram nas santas mulheres que voltavam do sepulcro, e "as palavras delas pareceram-lhes desvario" (Lc 24,11[a34] ). Quando  Jesus  se  manifesta  aos  onze  na  tarde  da  Páscoa,  "censura-lhes  a  incredulidade  e  a  dureza  de coração, porque não haviam dado crédito aos que tinham visto o Ressuscitado" (Mc 16,14).

644  Mesmo confrontados com a realidade de Jesus ressuscitado, os discípulos ainda duvidam, a tal ponto que o fato lhes parece impossível: pensam estar vendo um espírito. "Por causa da alegria, não podiam acreditar ainda e permaneciam perplexos" (Lc 24,41). Tomé conhecerá  a mesma provação da dúvida e quando da última aparição na Galiléia, contada por Mateus, "alguns, porém, duvidaram" (Mt 28,17). Por isso,  a  hipótese segundo a  qual  a  ressurreição  teria  sido  um  "produto"  da  fé  (ou  da  credulidade)  dos apóstolos carece de consistência. Muito pelo contrário, a fé que tinham na Ressurreição nasceu - sob a ação da graça divina - da experiência direta da realidade de Jesus ressuscitado.


O  ESTADO DA HUMANIDADE RESSUSCITADA DE CRISTO

645  Jesus ressuscitado estabelece com seus discípulos relações diretas, em que estes o apalpam e com Ele comem. Convida-os, com isso, a reconhecer que Ele não é um espírito, mas sobretudo a constatar que o corpo ressuscitado com o qual Ele se apresenta a eles é o mesmo que foi martirizado e crucificado, pois ainda  traz  as  marcas  de  sua  Paixão. Contudo,  este  corpo  autêntico  e  real  possui,  ao  mesmo  tempo,  as propriedades novas de um corpo glorioso: não está  mais situado no espaço e no tempo, mas pode tornar-se presente a seu modo, onde e quando quiser, pois sua humanidade não pode mais ficar presa à terra, mas já pertence  exclusivamente  ao  domínio  divino  do  Pai.  Por  esta razão  também  Jesus  ressuscitado  é soberanamente livre de aparecer como quiser: sob a aparência de um jardineiro ou “de outra forma" (Mc 16,12),  diferente  das  que  eram familiares  aos  discípulos,  e  isto  precisamente  para  suscitar-lhes  a  fé. (Parágrafo Relacionado 999)

646    A  Ressurreição  de  Cristo  não  constituiu  uma  volta  à  vida  terrestre,  como  foi  o  caso  das ressurreições que Ele havia realizado antes da Páscoa: a filha de Jairo, o jovem de Naim e Lázaro. Tais fatos eram acontecimentos miraculosos, mas as pessoas contempladas pelos milagres voltavam simplesmente à  vida  terrestre  "ordinária"  pelo  poder  de  Jesus.  Em  determinado  momento,  voltariam  a  morrer.  A Ressurreição  de  Cristo  é  essencialmente  diferente.  Em  seu  corpo  ressuscitado,  Ele  passa  de  um  estado  de morte para outra vida, para além do tempo e do espaço. Na Ressurreição, o corpo de Jesus é repleto do poder do Espírito Santo; participa da vida divina no estado de sua glória, de modo que Paulo pode chamar a Cristo de "o homem celeste".  (Parágrafos Relacionados 934,549)


A RESSURREIÇÃO COMO ACONTECIMENTO TRANSCENDENTE 

647  "Só  tu,  noite  feliz  "canta  o  Exsultet  da  Páscoa  –  “soubeste  a  hora  em  que  Cristo  da  morte ressurgia." Com efeito ninguém foi testemunha ocular do próprio acontecimento da Ressurreição, e nenhum Evangelista  o  descreve.  Ninguém  foi  capaz  de  dizer  como  ela  se  produziu  fisicamente.  Muito  menos  sua essência  mais  íntima,  sua  passagem  a  outra  vida,  foi  perceptível  aos  sentidos.  Como  evento  histórico constatável  pelo  sinal  do  sepulcro  vazio  e  pela  realidade  dos  encontros  dos apóstolos  com  Cristo ressuscitado, a Ressurreição nem por isso deixa de estar no cerne do mistério da fé, no que ela transcende e supera a história. E por isso que Cristo ressuscitado não se manifesta ao mundo mas a seus discípulos, "aos que  haviam  subido  com  ele  da  Galiléia  para  Jerusalém,  os  quais  são  agora  suas  testemunhas  diante  do povo" (At 13,31). (Parágrafo Relacionado 1000)


II. A RESSURREIÇÃO - OBRA DA SANTÍSSIMA TRINDADE 

648  A Ressurreição de Cristo é objeto de fé enquanto intervenção transcendente do próprio Deus na criação e  na  história.  Nela,  as  três  Pessoas  Divinas  agem  ao  mesmo  tempo,  juntas,  e  manifestam  sua originalidade própria. Ela aconteceu pelo poder do Pai que "ressuscitou" (At 2,24) Cristo, seu Filho, e desta forma introduziu de modo perfeito sua humanidade  - com seu corpo  - na Trindade. Jesus é definitivamente revelado "Filho de Deus com poder por sua Ressurreição dos mortos segundo o Espírito de santidade" (Rm 1,4). São Paulo insiste na manifestação do poder de Deus pela obra do Espírito que vivificou a humanidade morta de Jesus e a chamou ao estado glorioso de Senhor. (Parágrafos Relacionados 258,989,663,445,272)

649      O  Filho  opera,  por  sua  vez,  a  própria  Ressurreição  em  virtude  de  seu  poder  divino.  Jesus anuncia  que  o  Filho  do  homem  dever    sofrer  muito,  morrer  e,  em  seguida,  ressuscitar  (sentido  ativo  da palavra). Alhures, afirma explicitamente: "Eu dou a minha vida para retomá-la... Tenho poder de dá-la e poder para retomá-la" (Jo 10,17-18 "Nós cremos... que Jesus morreu, em seguida ressuscitou" (1Ts 4,14). 650  Os Padres da Igreja contemplam a Ressurreição a partir da Pessoa Divina de Cristo que ficou unida  à  sua  alma  e  a  seu  corpo  separados  entre  si  pela  morte:  "Pela  unidade  da  natureza  divina,  que permanece presente em cada uma das duas partes do homem, estas se unem novamente. Assim, a Morte se produz pela separação do composto humano, e a Ressurreição, pela união das duas partes separadas[a51] " (Parágrafos Relacionados 626,1005)


III. SENTIDO E ALCANCE SALVÍFICO DA RESSURREIÇÃO 

651 "Se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação, vazia é também a vossa fé" (1Cor 15,14). A Ressurreição constitui antes de mais nada a confirmação de tudo o que o próprio Cristo fez e  ensinou. Todas  as  Verdades,  mesmo  as  mais  inacessíveis  ao  espírito  humano,  encontram  sua  justificação  se,  ao ressuscitar,  Cristo  deu  a  prova  definitiva,  que  havia  prometido,  de  sua  autoridade  divina.  (Parágrafos Relacionados 129,274)

652    A  Ressurreição  de  Cristo  é  cumprimento  das  promessas  do  Antigo  Testamento[a52]  "  e  do próprio Jesus durante sua vida terrestre. A expressão "segundo as Escrituras" indica que a Ressurreição de Cristo realiza essas predições. (Parágrafos Relacionados 994,601)

653  A verdade da divindade de Jesus é confirmada por sua Ressurreição. Dissera Ele: "Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que EU SOU, (Jo 8,28). A Ressurreição do Crucificado demonstrou  que  ele  era  verdadeiramente  "EU  SOU",  o  Filho  de  Deus  e  Deus  mesmo.  São  Paulo  pôde declarar  aos  judeus:  "A  promessa  feita  a  nossos  pais,  Deus  a  realizou  plenamente para nós...; ressuscitou Jesus, como está escrito no Salmo segundo: 'Tu és o meu filho, eu hoje te gerei” (At 13,32-33). A Ressurreição de Cristo está estreitamente ligada ao mistério da Encarnação do Filho de Deus. E o cumprimento segundo o desígnio eterno de Deus.(Parágrafos Relacionados 445,422,461)

654  Há  um duplo aspecto no Mistério Pascal: por sua morte Jesus nos liberta do pecado, por sua Ressurreição Ele nos abre as portas de uma nova vida. Esta é primeiramente a justificação que nos restitui a graça  de  Deus,  "a  fim  de  que,  como  Cristo  foi ressuscitado  dentre  os  mortos  pela  glória  do  Pai,  assim também  nós  vivamos  vida  nova"  (Rm  6,4).  Esta  consiste  na  vitória  sobre  a  morte  do  pecado  e  na  nova
participação  na  graça".  Ela  realiza  a  adoção  filial,  pois  os  homens  se  tornam  irmãos  de  Cristo,  como  o próprio Jesus chama seus discípulos após a Ressurreição: “Ide anunciar a meus irmãos" (Mt 28,10). Irmãos não por natureza mas por dom da graça, visto que esta filiação adotiva proporciona uma participação real na  vida  do  Filho  Único,  que  se  revelou  plenamente  em  sua  Ressurreição.  (Parágrafos  Relacionados 1987,1996)

655 Finalmente, a Ressurreição de Cristo  - e o próprio Cristo ressuscitado  - é princípio e fonte de nossa ressurreição futura:  "Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que adormeceram... assim como todos morrem em Adão, em Cristo todos receberão a vida" (1Cor 15,20-22). Na expectativa desta realização, Cristo ressuscitado vive no coração de seus fiéis. Nele, os cristãos "experimentaram... as forças do mundo que há  de vir" (Hb 6,5) e sua vida é atraída por Cristo ao seio da vida divina" "a fim de que não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que morreu e ressuscitou por eles" (2Cor 5,15). (Parágrafos Relacionados 989,1002)


RESUMINDO

656  A fé na Ressurreição tem por objeto um acontecimento ao mesmo tempo historicamente atestado pelos discípulos que encontraram verdadeiramente o Ressuscitado e misteriosamente transcendente, enquanto entrada da humanidade de Cristo na glória de Deus.

657  O sepulcro vazio e os panos de linho no chão significam por si mesmos que o corpo de Cristo escapou  às  correntes  da  morte  e  da  corrupção  pelo  poder  de  Deus.  Eles  preparam  os  discípulos  para  o reencontro com o Ressuscitado

658  Cristo, "primogênito dentre os mortos" (Cl 1,18), é o princípio de nossa própria ressurreição, desde já  pela justificação de nossa alma, mais tarde pela vivificação de nosso corpo".

Fonte: Catecismo da Igreja Católica

Rea es:
SHARE THIS

Author:

Etiam at libero iaculis, mollis justo non, blandit augue. Vestibulum sit amet sodales est, a lacinia ex. Suspendisse vel enim sagittis, volutpat sem eget, condimentum sem.

0 coment rios: