domingo, 9 de setembro de 2018

Cristo ressuscitou - Comunidade Católica Shalom

Cristo ressuscitou, aleluia!

Cristo ressuscitou, aleluia!
Sim, verdadeiramente ressuscitou! Aleluia!


Jesus Ressuscitou
Meus irmãos, minhas irmãs, este é o dia que o Senhor fez para nós! Dia de alegria, dia de exultação! Vamos dizer com emoção, animados pela fé, neste dia que o Senhor nos fez, neste dia de alegria, neste dia de exultação , neste dia em que Cristo venceu a morte, neste dia em que a morte não tem a última palavra, vamos todos juntos professar, por meio desta palavra do salmo a nossa fé: Este é o dia que o Senhor fez para nós!
Este é o dia que o Senhor nos fez! É interessante vermos esta passagem do salmo (Salmo 117/118) que diz: este é o dia que o Senhor nos fez; nada mais verdadeiro! Não só no sentido de que este é o dia que o Senhor nos concedeu, mas também no sentido inverso, de que este é o dia que o Senhor nos fez, que Ele nos recriou, na verdade, o Domingo da páscoa, é aquele dia em que nós contemplamos a recriação de Deus em nossa vida.
Recorramos agora a estas imagens que somos acostumados a ver: a imagem do livro do Gênesis: a Criação, e a imagem da ressurreição de Cristo.
Na imagem do Gênesis (gênesis 1 e 2) vemos que a terra estava disforme e vazia, e o Espírito do Senhor pairava sobre ela. Sobre os mares e sobre as águas – e lembrando bem este estado disforme: chamamo-lo de “Caos” – e sobre este Caos o Espírito do Senhor pairava sobre as águas.
É então, que pela Palavra criadora do Senhor, Ele disse “Faça-se”, e tudo criou uma forma, tudo criou uma harmonia, e acontece o milagre da criação, acontece o “Cosmos”, que é a forma criada segundo o plano e a vontade de Deus.
Por este “faça-se”, Deus coloca tudo na sua ordem criadora, e nós contemplamos a beleza da criação, ora meus irmãos, hoje, neste dia eu o Senhor nos fez, algo muito maior acontece do que o que aconteceu naquele dia. Se pudermos imaginar a grandeza da primeira criação, a criação inicial, quando todos os elementos foram tomando forma, e foi acontecendo o mar, a luz, os animais que voam, e os que andam sobre a terra. E o homem plenitude da criação de Deus. E podemos imaginar este grande milagre de Deus, este evento milagroso de Deus, que transforma o Caos em Cosmos.
Agora, muito superior, muito maior, muito mais grandioso, é o evento que hoje nós contemplamos, o Espírito do Senhor pairou sobre o corpo morto e sepultado de Cristo, e pairando sobre este corpo morto e sepultado de Cristo, pairou sobre a humanidade, toda a humanidade, de todo o tempo, de todo o espaço, de todo o lugar, de toda a história, ferida, apodrecida nos porões doa morte, apodrecida no pecado que gerou morte sobre morte.
E paira sobre o Corpo de Cristo, e o Trazendo a vida, o ressuscitando, e o libertando das garras da morte, libertando-o do salário último do pecado, que é a morte. O Espírito do Senhor na Ressurreição de Cristo, nos recria, recria o universo, não só a nós, e recria tudo para uma nova economia, para uma nova realidade, e muito superior ao que nossos olhos simplesmente vêem, muito superior ao plano natural, a uma realidade sobrenatural. O Espírito do Senhor pairou em Cristo Jesus sobre a nossa humanidade ferida, dilacerada, e … eu gostaria de invocar a imaginação e a memória de vocês, neste momento ela vai ajudar. Joguem os “olhos da imaginação” de vocês no filme “A Paixão”, contemplem o corpo dilacerado de Cristo, corpo ferido de Cristo, e nada mais é que o retrato histórico dos Evangelhos e do Santo Sudário. Contemplem aquele corpo, que somente um mundo como nosso de hoje, uma sociedade tal qual esta de hoje, que tem repugnância ao sofrimento não consegue contemplar. Porque com certeza, muito pior do que aquilo, diz o profeta Isaías, ele ficou irreconhecível, ele parecia mais um verme do que um homem. Mas ele trazia sobre si as nossas chagas e os nossos pecados. As minhas chagas e os meus pecados. As suas chagas e os seus pecados. As chagas e os pecados da humanidade inteira pesavam de todo o tempo e de toda a história, pesavam sobre Ele os horrores da guerra, pesavam sobre ele os horrores dos extermínios, as vítimas de todos os regimes, comunismo, fascismo, nazismo, …
Pesavam sobre ele os adultérios, os abortos de milhões e milhões de crianças despedaçadas, feridas, quebradas, moídas, colocadas no lixo, pesavam sobre ele a ira de uma multidão assassina, nós. Nós que pelo peso dos nossos pecados, e do nosso ódio, pelo qual nos destruímos continuamente uns aos outros, e nos colocamos uns contra os outros como inimigos, nossos e de Deus, da criação e do mundo. Os pecados de toda a história dilaceram seu corpo, mas que muito mais, dilaceraram a sua alma. A sua inocente alma, a sua alma sem nenhuma culpa. Pesaram sobre ele e o dilaceraram, e o ensangüentaram, e o colocaram em angústia de morte.
Pelo Corpo de Cristo sepultado estão os nossos corpos, almas, pecados nossos e de toda a história. E o Espírito do Senhor pairou sobre ele e se derramou sobre o mesmo. Sobre um caos muito maior que o primitivo, fruto do nosso pecado, do nosso não a Deus. E este Espírito pairou sobre Ele, e o ressuscitou, reconstituiu, e o fez um homem novo recriado em Deus, ressuscitado no Pai, glorificado.
E a sua carne dilacerada tornou-se gloriosa, tornou-se novamente pura, mais ainda do que era antes. Tornou-se resplandecente, tão nova, a mesma carne ferida, mas tão nova, tão nova, que os olhos humanos não podiam reconhecer, olhos que tantas vezes o contemplaram, como o de Madalena, não puderam o reconhecer. Porque o Espírito do Senhor fez novo, fez novas todas as coisas, e recriou a carne ferida, ensangüentada, vitimada pelo peso das nossas faltas. A Recriou, a ressuscitou, a renovou, e mais ainda a elevou e a glorificou. E lhe deu um poder, uma glória, uma forma numa luz, numa beatitude, que nossos olhos não podem contemplar nem imaginar.
Mas meus irmãos, esta carne de Cristo, glorificada, é também a nossa carne. Se foram nossos pecados que lhe massacraram a carne e a alma, se foram as nossas feridas e as culpas que pesaram sobre ele e lhe conduziram à morte, ele tomou a nossa humanidade sobre si, é a minha e a sua vida que ressuscita. Então as minhas e as suas feridas são visitadas e numa ordem muito maior, muito mais poderosa, mais gloriosa, que é a ordem da criação de Deus.
Meus queridos irmãos e irmãs, eu quero dizer com todo o meu coração, com todas as forças que eu puder dizer, com todo o empenho que a minha alma puder comunicar: Hoje, não ontem, nem amanhã! Hoje! Cristo Ressuscitou! E hoje a sua carne, a sua vida, a sua dor, o seu coração, as suas feridas são recriadas, são ressuscitadas com Ele, são restauradas com Ele, são revivificadas com Ele. E Hoje, Hoje! Não ontem, não amanhã, Hoje é o dia que o Senhor me fez! Hoje é o dia de Alegria! dia de exultação! Dia em que a morte não tem mais a última voz.
Quem és tu, ó morte? Quem és tu, ó morte? Quem és tu, ó morte? Em Cristo nós te desafiamos, pois tu já morreste, bebeste do teu veneno em ti mesmo. Porque Cristo Jesus ressuscitou. Então hoje também nós podemos nos colocar diante de nossas feridas, de nossos pecados, das nossas dores, dos nossos sofrimentos e dizer: “Quem és tu? Quem és tu? Porque Cristo hoje por uma verdade histórica, real, não uma ideiazinha, não um pensamento, mas um fato, uma graça, uma intervenção de Deus na minha e na sua história, hoje, Cristo ressuscitou.
E eu, não outro, eu com a minha carne como diz Jó, eu posso ver a Deus. Pois com a minha carne, não somente o meu espírito, não somente a minha alma, não somente um dia, não somente amanhã, não somente no céu, mas “hoje” a minha carne, a minha história, a minha vida com Cristo: não simplesmente ressuscitará, com Cristo elas ressuscitam, hoje a sua vida ressuscita, esta é a boa nova, é a grande boa nova que o Senhor tem reservado para nós.
Cristo ressuscitou Aleluia!
Cristo ressuscitou Aleluia!
Cristo ressuscitou Aleluia!
A força da Ressurreição
Hoje é o dia que o Senhor nos fez! Hoje o Espírito de Deus vem sobre o caos da nossa história, nela intervém e a recria pela ressurreição de Cristo para a glória do Pai.
Por isto na Igreja toma-se este dia como o dia mais do que especial para ser celebrado o sacramente do batismo. Ontem na vigília pascal a tradição da Igreja, fazia o seguinte, os catecúmenos, que são os convertidos adultos, eram educados na fé, e nesta noite da vigília pascal recebiam os sacramentos da iniciação. E ainda hoje a Igreja anima o batismo dos adultos na vigília pascal. Até uns dois anos atrás havia esta tradição aqui na nossa Catedral. E isto, porque hoje é o dia que o Senhor nos fez, este é o dia da regeneração, da recriação.
E não existe nenhum melhor dia do que este, para trazer aqueles que jazem nas trevas da morte para receberem a luz de Cristo, para serem enxertados no corpo ressuscitado de cristo. E no Corpo ressuscitado de Cristo receberem esta unção do Espírito Santo que Ele (Este Corpo) dá aqueles que com fé se unem a Ele. É por este motivo que a Igreja, de uma maneira particular, celebra o batismo neste dia. E é por isto hoje, neste dia, nós também rezaremos uns pelos outros, para que também nós, e todas as áreas da nossa vida que jazem ainda sob as trevas, possamos ter contato com este Corpo Ressuscitado e nos unirmos a ele pela fé.
Isto não é uma teoria, é uma verdade, isto não é uma teologia desencarnada, é a verdade da nossa vida, é a verdade do Evangelho, que se nós compreendemos e nos unirmos a Ela as coisas mudam de fato em nossa vida. Se pela fé hoje nos aproximarmos do corpo ressuscitado de Jesus Cristo. Se pela fé nos aproximarmos dele e recebermos esta unção do Espírito Santo que nos recria, que tomará o nosso caos, que agirá e iluminará em nossas trevas e nos reerguerá como homem novo, como mulher nova.
Hoje é o dia de renovar o nosso batismo, porque hoje é o dia em que o Senhor nos fez, hoje, é o dia por excelência de receber esta nova efusão. Veja bem quando nós somos batizados recebemos por meio de nossos pais e padrinhos a água e três sinais especiais. A primeira coisa que entrega a nossos padrinhos, uma vela, a luz de Cristo. A segunda, um óleo, nosso peito é ungido com um óleo de Crisma, e a terceira coisa é uma veste branca. Três grandes sinais, a vela, as vestes brancas e o óleo, e nós podemos entendê-los e fazer uma relação entre eles.
A vela, a chama da nossa fé, acesa que nos faz vencer na ressurreição de Cristo a morte.
A veste branca, a roupa nova que é o sinal da pureza imaculada, da santidade de Cristo que recebemos, que a santidade concede a nós. Do amor que é santidade.
E o óleo, uma unção que nos faz testemunhas da esperança que é Cristo.
Somos recriados pela fé, pelo amor e pela caridade
Irmãos, estes três elementos que nós meditamos durante estes três dias (fé, caridade e esperança), retomemo-los neste dia de hoje e vamos pedir a efusão deste Espírito Santo que nos recria. Cristo ressuscitado que nos recria pela fé, pela santidade, pelo amor santidade, e pela esperança.
Vamos conversar rapidamente sobre estes três pontos para irmos imediatamente para a experiência que vale mais do que todas as nossas palavras.
Este Senhor Ressuscitado nos recria na fé. Meu irmão nós dizíamos a Carne de Cristo ressuscitado é a minha e a tua carne, a carne de Cristo ressuscitado é a minha e atua carne. E nos enxertamos em seu corpo pela fé. E este é um convite indispensável, e ninguém agrada a Deus se não tiver fé, diz a palavra do Senhor. Somente a fé nos traz a posse da palavra e das promessas de Deus, e por isto hoje, pelo dom da fé que habita em ti. Hoje o Senhor deseja lhe recriar na fé. É preciso encontrar você acreditando que a sua carne está unida a carne de Cristo. E esta mesma carne ressuscita hoje com Cristo, é revestida pela carne de Cristo.
É isto o que acontece em cada Eucaristia. Você comunga a Carne e o Sangue de Jesus Cristo. A carne e o sangue ressuscitados de Cristo. E Deus age em nós por meio de nossa fé. Sim, pela fé, porque sem fé não há efeito nem fecundidade no Sacramento, quem adere com fé, o sacramento se torna eficaz. E nós podemos entender como uma imagem, a carne ressuscitada de Cristo, se une a nossa carne ferida, e podemos dizer até fétida pelos nossos pecados. E ela envolve a nossa carne e a torna nova, e ao nosso corpo, um novo corpo, e a nossa alma, uma nova alma. Recriando-nos, a carne, o sangue e alma ressuscitados de Cristo envolve o seu corpo e sua alma, feridos, sofridas, fétidos pelo peso do pecado e a absorve a cruz e lhe faz um homem e uma mulher nova.
Meu irmão neste dia de hoje ninguém precisa te dizer que tu és fraco, sim, porque tu és. Alguém precisa é te dizer: Jesus Cristo ressuscitou! A carne de Cristo foi ressuscitada! E o Corpo glorioso de Cristo também é o teu, por isto a fortaleza de Cristo, que venceu a fraqueza hoje envolve a tua fraqueza. E hoje eu te anuncio: tu não és mais um fraco, tu és um forte! Assuma a fortaleza que a ressurreição de Cristo hoje te dá.
No dia de hoje pode-se até te dizerem: se tu tens medo, e em muitos momentos da tua vida você tem muito medo. Porque esta é a realidade da nossa humanidade. Mas alguém hoje precisa te dizer: que Cristo ressuscitou, e que a carne corajosa de Cristo, a coragem de Cristo pode englobar, envolver, absorver o teu medo e fazer-te cheio de coragem como Cristo é, e por isto hoje eu te digo: Coragem!
Hoje, ninguém precisa te dizer que tu és egoísta, e que em muitos momentos da tua vida tu não sabes partilhar, nem a tua vida, nem o que tu tens, porque a tua própria realidade grita para ti, mas hoje alguém precisa te dizer: Que Cristo ressuscitou e que ao amor gratuito de Cristo, na sua carne ressuscitada é capaz de absorver, de destruir o que corrói, de fazer um homem de partilha. Fazer-te capaz de dar a vida, de partilhar tudo o que é e tem. Hoje tu és partilha e amor em Cristo ressuscitado.
Ninguém precisa te dizer que tu és carente, que tu vives buscando afeto, aprovação de ti mesmo; que vives buscando afeto nas coisas, nas pessoas. Tu queres te sentir amado, mas não sabes, nem consegues amar. E fica na tua vida isto, e perdes nisto a tua vida. Condenas teus irmãos por causa disto. Mas hoje alguém precisa te dizer: que Cristo ressuscitou, e que o amor dele é mais forte do que a morte, e que seu amor é liberdade, e a liberdade do amor de Cristo pode consumir a tua carne ferida e com complexo de vítima; podendo te fazer livre, capaz de amar e não buscar desesperadamente ser amado.
Um dos ícones mais conhecidos da Páscoa mostra (e nós mesmos já conhecemos tão bem) ela acontecendo com a chegada de Jesus aos infernos. Neste ícone vemos Ele chegando e diante de Adão segurando o punho de Adão. A mão de Adão, não tem força nem de segurar a de Cristo, nem de levantar, mas a de Cristo é firme, sólida, vigorosa. E a força da Ressurreição de Cristo é mostrada nos ícones, tomando com firmeza o pulso de Adão, e por tabela a de Eva e vence as portas da morte. E ali está a levar todos que lá estão. Ele destrói as portas da morte, destrói tudo o que se fecha, tudo o que é impedimento para a vivência da glória de Deus na vida deles. Esta é a imagem mais concreta que podemos ter da Ressurreição de Cristo Hoje.
E assim hoje temos nova vida. Cristo ressuscitado pega hoje teu punho. Teu punho fragilizado, e fragilizado pelo teu sofrimento, dores, pecados, medos, feridas. Hoje Cristo ressuscitado diz: “não fique no seu sofrimento, não se paralise nas suas dores. Não fique remoendo centrado em si mesmo; isto é a morte! E eu venci a morte. Pego seu punho com a força da minha ressurreição. Eu quebro hoje as portas da morte. Quem és tu ó morte? Eu quebro as portas da morte, em mim está a chave da vitória, não se paralise em sua dor. Mas me encontra no meio da sua dor, no meio da sua ferida, porque eu venci a morte e eu estou aí. Não te centralizes, não te paralises, deixa eu te pegar pelo punho e te fazer superar vencer viver e encontrar alegria no meio do mistério do sofrimento, pois em mim isto se faz. Sai de ti mesmo, da morte e do inferno que é viver em cima de si mesmo, voltado para si mesmo, isto é um inferno, e inferno que tu mesmo insistes em viver. Sai do inferno pela força da minha ressurreição e que brilhe em ti a minha luz. Deixa me te resgatar e eu tenho a graça de te dar felicidade, eu posso te libertar, eu posso te resgatar, eu posso te recriar.” Crê ele nos recria pela fé. Confia, acredita, crê.
Meus irmãos, parece simples e é simples, mas nós complicamos, crê! Jesus insiste nisto nos evangelhos, crê somente, confia. Neste momento se levanta um monte de coisas dentro de você, contra a fé. Pensamentos contrários. Mas não se fie neles. Creia na ressurreição de Cristo! Não te paralises em tua dor, encontre Cristo ressuscitado no meio da tua morte e ressuscite com ele pela tua fé. E ele te fará um homem novo uma mulher nova.
Meu irmão, minha irmã, Hoje Cristo ressuscitado deseja te recriar pela fé, e por isto hoje ele diz coragem, coragem! Se a tua vida é uma noite, lembra-te foi no meio da noite que o Pai ressuscitou Jesus Cristo da morte pelo poder do Espírito Santo. Foi no meio da noite que a luz brilhou e expantou as trevas. E por isto o “exultat”, o hino que nós cantamos ontem na vigília pascal, diz esta noite, será luz para o teu dia. Se a tua vida é noite , crê, crê, crê. Ela tornará esta noite mais brilhante que o dia, mais brilhante que todos os teus dias até então, somente pela fé se pode apossar dela. Porque a noite será a luz para o meu dia, a noite não é sem fim . A noite não é a última palavra, nela brilha a luz de Cristo. Ele nos recria pela fé, ele nos recria no amor.
Se pela encarnação os teólogos dizem que Deus desposou a carne do homem. Deus casou-se, tomou por esposa na humanidade de Cristo a carne do homem . Se pela encarnação isto aconteceu, pela redenção isto se tornou algo definitivo. A carne ressuscitada de Cristo está eternamente dentro da Trindade, em Deus, e nela eternamente nós fomos desposados, e nela eternamente nós entramos na comunhão de amor da Trindade, e por isto na carne de Cristo ressuscitada é a nossa carne, é a nossa vida, a nossa humanidade que ali está. Nós estamos dentro do amor Trinitário, e o amor Trinitário que nos recria, e é no amor, por amor e pelo amor que Ele vai imperando esta ordem de santificação na nossa vida. Porque o que é recriar no amor, senão a santidade? A santidade!
Ele nos recria no amor por meio da santidade, meu irmão, hoje! Não ontem, nem amanhã! Agora! Agora, Cristo ressuscitado deseja nos recriar pelo amor, deseja nos conceder pela efusão do Espírito Santo uma resposta de esponsalidade que é o amor esponsal, que nós devemos, precisamos, necessitamos e que comunicamos quando estamos nesta comunhão de amor de Deus. Viver e dar para Deus. Que é só o amor esponsal que pode nos fazer santos, viver a santidade, que pode nos recriar na santidade,
Meus queridos irmãos, uma coisa que eu não sou é saudosista. Não por mérito, acho que sou por natureza. Eu não sou de ficar olhando para trás, do tipo: “Ah, antes era muito melhor…” eu lembro que às vezes se diz assim, “quando tudo começou não existia nem comunidade de aliança, era muito melhor, … todos se conheciam, hoje são tantos e tantas, são milhares de pessoas, ah, hoje não é bom como antes, não.” …
Eu não acho! Melhor é hoje! Hoje nós temos mais como dividir este amor com milhares e milhares de pessoas. Eu particularmente só vejo um lado bom, aquele citado. Já o de hoje, é melhor.
Realmente eu não sou saudosista, mas tem algumas coisas que não devem estar presentes somente no nosso passado, mas que devem ser perenes. Eu tenho a impressão, e pode ser só impressão, que nós não mais almejamos a santidade como outrora… É como se estivéssemos satisfeitos em chegar a uma vida, uma pobre e miserável vida medianamente cristã. Parece-me que temos uma facilidade muito grande em, como dizia Santa Teresa, em conjugar a verdade de Deus e a mentira do mundo.
Parece-me que, como toda a obra de Deus, corre-se o risco de no seu santo desejo de se abrir para o homem e para o mundo, corre-se o risco de acabar com o mundo entrando dentro dela e no coração dela.
E se isto por acaso tiver alguma semente de possibilidade… Que hoje pela força do ressuscitado, pela luz de Cristo, se afugente todas as trevas! Pela pureza da santidade de Cristo que amou o homem, que abraçou o homem, mas não se contaminou com o seu pecado, que amou o mundo e não destruiu o mundo. Mas o recriou, mas não compactuou com ele. E teve a firmeza de ir até o fim, de enfrentar até a morte de cruz, que foi necessário para atender ao plano do Pai, Que hoje este mesmo Cristo ressuscitado está aqui no meio de nós, que tem força e poder que o mundo que a morte. Pela força do seu amor reconquiste os nossos corações para a santidade. E basta, do mundanismo, da mentalidade, do pensamento, da mediana e medíocre vida pobre e não autenticamente cristã, porque isto não é evangelho.
O acostumar a ter uma vida sem o amor a verdade não faz sentido, e a cruz gera ressurreição. Escolher no amor e pelo amor a santidade, nós vivermos a santidade no amor como o amor de Cristo. Cristo nos amou tanto, tanto, que foi capaz de dar a sua vida, capaz de sacrifícios. Cristo nos amou tanto que se moveu em grandes renúncias para nos salvar, no amor capaz de sacrifícios, no amor que move a grande renúncia.
Ele renunciou estar no seio da Trindade. Um amor que está disposto a tudo perder, a tudo dar, porque de fato, não só de idéia, nem só em poesia… mas de fato, encontrou a pérola preciosa.
Hoje eu peço ao Senhor ressuscitado, que nos batize neste seu amor esponsal que gera santidade, no meio de nós. Neste amor que faz o jovem manter-se casto mesmo com todos os desafios de uma sociedade hedonista fundamentada no prazer como a nossa. Mas que por amor a Cristo e às famílias que um dia irão gerar pelo sacramento do matrimônio, heroicamente perseveram na castidade de Cristo até o fim. Um amor que desperta os outros jovens a renunciar a natural e sadia constituição de uma família, para heroicamente ofertar os seus afetos, o seu corpo, a sua alma a este amor, a esta esponsalidade. Esponsalidade que é um amor dedicado e incondicional aos homens por meio do celibato consagrado ou de um sacerdócio e lembra continuamente a todos que o centro da felicidade no homem e na mulher não consiste numa aparente realização afetiva, mas sim de fazer incondicionalmente a santíssima vontade de Deus nas suas vidas. E estes que apostam que os afetos são o centro da sua vida, correm o risco de se frustrar.
Pois este amor é capaz de gerar jovens capazes de dar este testemunho, amor que leva senhoras e senhores, que mesmo com a incompreensão do seu cônjuge e do seu filho, continuam heroicamente a concederem o seu perdão, o seu testemunho, a sua oração, o seu amor, o seu serviço pelos queridos. Sim, seus queridos, mas que ainda não descobriram a vida e a força que impulsiona você a tudo isto. Um amor que gera famílias, casais que mesmo não obstante os desafios mais dolorosos que possam enfrentar estão dispostos a até o fim testemunhar a indissolubilidade, a unidade deste amor; e tenha logo como primazia da sua vida: Deus e não as coisas, e não a eles mesmos; e este sim é o grande risco de seu amor, o amor que é capaz de produzir verdadeiras loucuras. Que muito dificilmente pode-se compreender, e por isto podem até criticar mas é próprio do amor produzir estas loucuras.
Só aqueles que amam, que estão apaixonados, estão incendiados por este amor divino, geram estas loucuras, e é por isto que se não existem mais estas loucuras em nossas vidas, peçamos a Deus estas lúcidas loucuras. E lúcidas porque irracionais são as propostas deste mundo que nos convidam a fazer verdadeiras loucuras pelo que passa, pelo que morre, pelo que não é eternidade. Mas as lúcidas loucuras pelo amor de Cristo, estas são sinais de saúde espiritual e física que muitos desejariam contemplar mais e mais no meio de nós,
Meus irmãos, ai de nós…! e repito: ai de nós … quando não formos mais capazes de cometer estas lúcidas loucuras pelo amor de Cristo! É o sinal principal de que o amor esponsal nos abandonou! Um dos frutos principais do amor esponsal é o fervor, lembremos de quando D. Aloísio Lorscheider, bispo de fortaleza no início da nossa comunidade, nos dizia: nunca percam o ferver, e a liturgia de ontem, da vigília pascal, dizia: sem o fervor é impossível produzir frutos de virtudes para Deus. Que no dia de hoje, o Cristo ressuscitado gere em nós, conceda a nós, recrie no amor.
E por fim, vou finalizar e resumir: a ressurreição de Cristo nos recria pela fé, pelo amor e pela esperança. Cristo nos recria pela esperança.
Como nós fomos erguidos pela mão do ressuscitado, Ele nos coloca em movimento. Estávamos estagnados sob o peso das nossas dores, dos nossos sofrimentos, dos nossos pecados, tudo isto estava sob nós mesmos. Mas Ele nos toma pela mão e nos coloca em movimento; e este movimento é exatamente a esperança. Este estar em movimento – um movimento para Deus e para os outros – quem nos move é a esperança, porque se confiamos pela fé e pelo amor que a nossa vida está ressuscitada com Cristo, que nossas vida, nossas dores, nossos sofrimentos, nós não paramos mais neles mesmos. Encontramos a vitória de Cristo no meio deles, que nos convida a ir para Deus, a deixarmos eles de lado, a entregarmos eles em Deus, e irmos para Ele e para os outros.
Esta é a esperança que nos move, é o movimento da esperança, Cristo ressuscitado está continuamente em movimento e levando os outros ao movimento.
Quando Jesus ressuscitou, encontrou as mulheres, e disse-lhes : “ide dizer a meus irmãos,” ou seja, é o movimento, elas estavam chorando, mergulhadas em lágrimas. Maria Madalena encontrava-se debulhadas em lágrimas, voltadas para si mesma, voltadas para a sua dor… Mas o ressuscitado chega, e quando ele chega – e chega no meio da sua noite – ele a interrompe, e incendeia o seu coração, anima a sua fé e a põe em movimento , “Vá! Não me retenha, vai anuncia o ressuscitado.”
Ressuscitou e já está a caminho com os discípulos de Emaús, ele não ficou na glória do pai, ele se pôs em caminho com os discípulos de Emaús, e o que ele estava fazendo? Ele estava aquecendo os corações dos discípulos. Aquecendo para que eles no meio da tristeza, no meio do sofrimento, no meio da dor, no meio de sua noite, eles vissem a ressurreição, a vida de Cristo, e também eles se pusessem em movimento.
Não foi isto quando ele apareceu a Pedro no lago? E que assim, depois de curar o coração de Pedro, lembrava-lhe: “tu me amas?” Dizia: “apascenta as minhas ovelhas!” Ele os pôs em movimento, não foi isto quando ele ressuscitado, se encontrou com todos os discípulos da Galiléa, censurou-lhes a incredulidade do coração e disse-lhes “Ide, ide, ide!”
Meus irmãos, a esperança no abrigo que encontramos na nossa noite: a luz da ressurreição de Cristo; nas nossas lágrimas: o consolo da vitória de Cristo; Nós somos movidos a como o próprio Cristo ressuscitado, levar esta esperança para os que não têm esperança. Para os desesperançados, para os sofridos, para os que choram, como o próprio Cristo ressuscitado fez, como o próprio Cristo ressuscitado animou, ele também nos convida hoje a nos pôr em movimento, a colocar para trás o que ficou para trás a colocar nas mãos de Deus o que se deve, a não permanecer na nossa dor, no nosso sofrimento.
Isto se chama desesperança. Ele nos chama a nos movermos para aqueles que sofrem, aqueles que choram, a anunciar a nossa esperança, Cristo ressuscitou dos mortos, esta é a nossa esperança.
E hoje, neste momento de oração que vamos fazer, nesta efusão do Espírito que Ele nos dará, Ele deseja nos recriar na fé, no amor, e na esperança. Ele nos convida a responder que Ele verdadeiramente ressuscitou.
Cristo ressuscitou, Aleluia!
Sim, verdadeiramente ressuscitou, aleluia!
Cristo nos recria na fé, aleluia!
Sim, verdadeiramente ressuscitou, aleluia!
Cristo nos recria na esperança!
Sim, verdadeiramente ressuscitou, aleluia!
Cristo nos recria no amor!
Sim, verdadeiramente ressuscitou, aleluia!
E hoje nos deixemos recriar de uma maneira real e eficaz, pela ressurreição de Cristo,
Pois Cristo, verdadeiramente ressuscitou!
(Moysés Azevedo
Fundador e Moderador Geral da Comunidade Católica Shalom
Mantido o tom coloquial
Pregação do Domingo Pascal de 2004 – durante todo ao ano não se ouve pregação mais inflamada do Moysés a toda a Obra senão esta que ocorre no dia mais importante de nossa fé.)

Fonte: Comshalom

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